Saúde mental do contador em tempos de “Burnout”

Maria Eugênia
Saúde mental do contador em tempos de “Burnout”

Com certeza você já ouviu falar sobre, conhece algum colega de trabalho que passou por isso ou pode ter sido a própria vítima. Estamos falando do famoso “Burnout”.


Exaustão extrema, tensão física, esgotamento mental… São esses alguns dos efeitos colaterais da síndrome que recentemente foi reconhecida e classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença ocupacional.


O termo se popularizou nos últimos dois anos em decorrência da pandemia e do isolamento social no home office, contextos que notadamente agravaram as situações de estresse crônico e “overloading” no trabalho.


#Curiosidade Traduzido do inglês, "burn" quer dizer queima e "out" exterior. O termo, que faz parte do vocabulário coloquial em países de língua inglesa remete ao estado de esgotamento e de energia no trabalho.


Mas não é de hoje que problemas de saúde resultantes do excesso de atividade ocupacional tem acometido profissionais de inúmeros setores.  Essas repercussões têm demonstrado que a falta de atenção à saúde mental dos profissionais pode afetar gravemente as relações pessoais, sociais e organizacionais.


E qual a ligação de tudo isso com o profissional contábil? Se você é da área de contabilidade, provavelmente já sabe a resposta. Então vamos falar mais sobre Burnout, como prevenir e como cuidar da saúde mental sendo profissional da área contábil:


Burnout em profissionais contábeis


Nas organizações, os contadores e contadoras representam um papel crucial para um bom funcionamento interno e, com isso, vem  o peso da exigência, da responsabilidade e da sobrecarga. Junto a isso, é parte do cotidiano dos controladores terem que lidar com prazos rigorosos, alterações legislativas recorrentes e demandas complexas no âmbito de trabalho.


Sobre isso, Ana Carolina Paiva, psicóloga e gerente de RH da empresa de tecnologia da informação Projetus TI, expõe que "os profissionais da área contábil não têm como fugir de uma demanda cheia de responsabilidades, pressão, datas e obrigações fiscais. Existe uma cobrança excessiva das empresas, clientes - ou muitas vezes de si próprio - até mesmo pelas constantes mudanças na legislação brasileira. Naturalmente é um serviço que exige um perfeccionismo, uma atenção e alerta quase exagerados devido às consequências de um erro ou distração.”


Ou seja, os profissionais de contabilidade lidam diariamente com rígidas cobranças externas, bem como com autocobranças, e isso faz com que a relação com o trabalho vire sinônimo de ansiedade e exaustão. 


Paralelamente à explicação de Ana Carolina, a executiva de controladoria e contadora Danielle Matos, atuante há mais de 30 anos na área contábil, relata que “entre os maiores motivadores de estresse entre contadores e contabilistas estão os prazos apertados para os fechamentos mensais dos resultados, além da a insegurança nas apurações de impostos e preenchimento das obrigações acessórias, decorrente da complexidade da legislação tributária brasileira.”


Frente a esse cenário, comumente os profissionais de contabilidade se coíbem de momentos de relaxamento e descontração no âmbito do trabalho e se veem por horas ininterruptas lidando com números e relatórios, esquecendo de estabelecer limites no trabalho.


“Os profissionais da área contábil acabam focando muito no trabalho, nas atualizações das informações, negligenciando os momentos de descanso e descontração, de forma que a mente fica em alerta o tempo todo", reitera Ana Carolina.


As consequências refletem no estado mental, emocional, físico e social, chegando a um pico de crise de cansaço, resultando no famoso Burnout. 


Se identificou com o que leu? Continue para saber os principais cuidados para evitar esse desfecho e como tratá-lo.


Prevenir para não remediar


Como citado previamente, a Síndrome de Burnout tem como principais sintomas o cansaço excessivo e o esgotamento físico, mental e até mesmo social.  Além disso, é importante reconhecer outros sinais que muitas vezes são banalizados, mas podem ser indícios do desenvolvimento desse distúrbio, tais como:


  • Dores de cabeça constante
  • Insônia
  • Dificuldades de concentração
  • Sentimentos como desesperança e auto depreciação
  • Ter um sistema imunológico comprometido
  • Isolamento
  • Fadiga

(fonte: Síndrome de Burnout  - Gov.br / Saúde)

 

Nesses casos, é crucial perceber a recorrência e a intensidade dessas manifestações e não desprezar a gravidade delas. Os sintomas podem começar de forma leve, mas com o tempo - sem tomar os devidos cuidados - acentuam e tornam-se algo mais grave. 


Assim, tenha sempre uma rede de apoio ao  seu alcance, com pessoas de confiança as quais você possa compartilhar seus sentimentos e, claro, com profissionais da saúde como psicólogos e psiquiatras. Não deixe sua saúde mental para depois ou a esqueça no fundo do baú.


Ademais, alguns hábitos implementados no cotidiano podem te ajudar a ter uma relação mais saudável consigo e com sua ocupação profissional.


Pode parecer papo furado, mas a ciência comprova que a prática de atividades físicas - sejam de baixa ou alta intensidade - é uma ótima aliada para prevenir o Burnout e manter uma boa saúde mental. 

 

#SaibaMais É o que demonstra o artigo Preventing Nurse Burnout With Exercise realizado pela Universidade de Ohio. O estudo fala sobre Burnout em profissionais de enfermagem, mas é adequado para quaisquer setores. Além disso, a pesquisa aprofunda nas temáticas acerca da Síndrome de Burnout. Vale a pena checar!

 

De acordo com o Ministério da Saúde “a atividade física regular e os exercícios de relaxamento devem ser rotineiros, para aliviar o estresse e controlar os sintomas da doença”.


Além disso, é recomendado participar de atividades de lazer com amigos e familiares, implementar pequenas práticas no dia a dia que "fujam" da rotina - como ir ao cinema no meio da semana ou passear com o cachorro - e conversar com alguém de confiança sobre o que se está sentindo.


Outra questão que está diretamente ligada à preservação da saúde mental é manter um ambiente de trabalho organizado, tanto o ambiente físico quanto o operacional. E isto significa que, além de deixar sua mesa ou seu escritório arrumados, também é essencial manter suas tarefas e obrigações corretamente agendadas e anotadas.


Então, usar cronogramas, agendas ou aplicativos/plataformas de organização pode ser mais benéfico do que você imagina, reduzindo significativamente o estresse ao trazer sensação maior de controle e de produtividade.


Tratamento do Burnout 


Ao reconhecer a presença do Burnout, é importante implementar métodos de tratamento que, não por coincidência, estão bastante associados com os procedimentos de prevenção. Ou seja, atividade física, momentos de lazer, exteriorização dos sentimentos, meditação e alimentação saudável também são relevantes no tratamento. 


Mas, além disso, intervenções médicas profissionais são de suma importância. Consulta com profissionais responsáveis por diagnóstico oficialmente aceito, como psiquiatras, pode ajudar a identificar o Burnout e, consequentemente, a combatê-lo adequadamente. 


Dependendo do grau, intervenções medicinais podem ser recomendadas pelos profissionais, mas em casos mais leves, simples mudanças de hábito, autoconsciência e mudanças nas condições do trabalho podem trazer resultados eficientes. 


#ValeLembrar Após diagnóstico médico, recomenda-se que o funcionário fique em recesso ou até mesmo tire férias. Durante esse tempo, é indicado que a pessoa desenvolva atividades de lazer com pessoas próximas - amigos, familiares, cônjuges, etc.


Por fim, é válido reconhecer que os sintomas podem ser muito parecidos com de outros distúrbios, o que pode gerar incertezas ou diagnósticos equivocados. “É Importante realçar que o Burnout é considerado um distúrbio emocional e pode ter diversas nuances em seus sintomas, o que dificulta sua identificação. Somado a isso, pesquisas trazem que há também uma tendência de confundir os sintomas com outras doenças, como depressão e estresse, devido às semelhanças dos quadros, aumentando ainda mais a necessidade do cuidado individual e pelas empresas.” comenta Ana Carolina. 


Assim, estar atento aos sinais e contar com assistência profissional são primordiais. 


 

Home Office 


Embora tenha sido implementada de maneira forçada, é evidente que o  home office veio para ficar, já que muitas empresas passaram a incorporar esse formato de forma permanente. Tendo isso em vista, não é novidade que o trabalho remoto está mais popular entre os profissionais de contabilidade.


Do ponto de vista técnico, não há obstáculos que comprometam a qualidade do trabalho dos contadores, principalmente sabendo do crescimento exponencial da contabilidade on-line realizada por meio de plataformas e softwares digitais. 


Entretanto, pesquisas mostram que o surgimento de profissionais com Burnout é maior no trabalho remoto, o que se deve principalmente pela falta de separação entre trabalho e a vida pessoal. Em tempos de trabalho à distância, portanto, as empresas precisam mais do nunca implementar ações que estabeleçam um clima organizacional positivo e que promovam cuidados preventivos com a saúde mental dos profissionais.


E você, profissional de contabilidade, precisa estar atento quanto aos ritmos empresariais que visam uma cultura de esgotamento em prol de uma (falsa) superprodutividade. Reitere seus direitos enquanto colaborador e priorize sua saúde física e mental!


Afinal,  a mente é essencial para os trabalhos contábeis, por isso manter a saúde mental nesse setor deve ser prioridade entre os profissionais. 


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